Feliz quem tem uma PEDRA em SAGRES

Palavras-chave | Keywords

"Boca do Rio" "Ermida da Guadalupe" "Farol de São Vicente" "Fauna e Flora" "Fortaleza de Sagres" "Gentes & Paisagens" "Gentes de Vila do Bispo" "Geologia e Paleontologia" "História do Mês" "Martinhal" "Menires de Vila do Bispo" "Paisagens de Vila do Bispo" "Tales from the Past" "Vale de Boi" 3D Abrigo Antiguidade Clássica Apicultura ArqueoAstronomia Arqueologia Experimental Arqueologia Industrial Arqueologia Pública Arqueologia Subaquática Arquitectura Arte Rupestre Artefactos Baleeira Barão de São Miguel Base de Dados Bibliografia Budens Burgau CIVB-Centro de Interpretação de Vila do Bispo Calcolítico Carta Arqueológica de Vila do Bispo Cartografia Cetárias Cista Complexo industrial Concheiro Conservação e Restauro Descobrimentos Divulgação EPAC Educação Patrimonial Escolas & Paisagens de Vila do Bispo Espeleo-Arqueologia Estacio da Veiga Estela-menir Etnografia Exposição Figueira Filme Forte Fotografia Geographia Grutas Homem de Neandertal Idade Contemporânea Idade Moderna Idade Média Idade do Bronze Idade do Ferro Iluminados Passeios Nocturnos Ingrina Islâmico Landscape Medieval-Cristão Megalitismo Mesolítico Mirense Moinhos Moçarabe Museologia NIA-VB Navegação Necrópole Neo-Calcolítico Neolítico Neolítico Antigo Paleolítico Património Edificado Património natural Património partilhado Pedralva Pesca Povoado Proto-história Pré-história RMA Raposeira Recinto Megalítico/Cromeleque Referências Romano Roteiro Sagrado Sagres Salema Santos Rocha Seascape São Vicente Toponímia Vila do Bispo Villa Romana arte biodiversidade marisqueio menires mitos & lendas
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História do Mês N.º 48 - O dia 18 de agosto de 1759 ao largo da praia da Salema: a “Batalha de Lagos” e o naufrágio do “Océan”

Inaugurada em janeiro de 2015, a ‘História do Mês’ consiste numa iniciativa expositiva do Centro de Interpretação de Vila do Bispo, com a qual se apresenta, mensalmente, um objeto e/ou um associado discurso informativo. Além da investigação, valorização, divulgação e partilha sociocultural de determinados apontamentos e curiosidades da memória coletiva do território, pretende-se, com esta iniciativa, provocar hábitos de visita aos nossos equipamentos culturais.

260 anos após a Batalha de Lagos, célebre confronto naval ocorrido nos mares do Barlavento Algarvio, no contexto da Guerra dos Sete Anos, opondo duas poderosas forças navais, uma armada Inglesa e uma armada Francesa, dedicamos a nossa História do Mês de Dezembro de 2018, no seu N.º 48, à descrição do naufrágio do navio-almirante francês, Océan, encalhado à vista da praia da Salema num dramático episódio ocorrido no dia 18 de agosto de 1759.

Nos anos 60 do século passado, foram assinalados os restantes destroços desta grande embarcação, seguindo-se diversas iniciativas científicas que promoveram a investigação do contexto arqueológico subaquático e a recuperação de diversos materiais cuja valorização e justa partilha sociocultural se encontram associados ao projeto museológico "Celeiro da História - Museu de Vila do Bispo"... saiba mais na nossa História do Mês!

Acompanhamento Arqueológico nas obras do Sistema Interceptor e Elevatório de Vila do Bispo e Sagres


Nos últimos meses, em diversos pontos do Concelho de Vila do Bispo, tem decorrido uma série de intervenções no âmbito da execução do “Sistema interceptor e elevatório de Vila do Bispo e Sagres”. Trata-se de um projeto que, tendo como entidade promotora a empresa ÁGUAS DO ALGARVE, S.A., foi concebido como solução de transporte dos efluentes gerados nas povoações de Sagres, Hortas do Tabual, Raposeira e Vila do Bispo, através da construção de um conjunto de sistemas elevatórios e intercetores que canalizem esses efluentes para a nova Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Vila do Bispo, inaugurada no dia 24 de março de 2016 junto à ponte da Granja.
Toda as fases desta extensa obra têm sido monitorizadas, em sede de Acompanhamento Arqueológico, pelos arqueólogos José António Pereira e Rosa Mateos, da empresa NOVARQUEOLOGIA – Arqueologia, Informática e Serviços, Lda.
Ainda antes do início das obras, foram realizadas prospeções arqueológicas ao longo do traçado da conduta e no perímetro das infraestruturas a construir. As prospeções tiveram por objetivo o reconhecimento de ocorrências patrimoniais de interesse arqueológico, etnográfico e arquitectónico, localizadas na área de afetação direta do projeto, e a definição de medidas de minimização de eventuais impactos no património cultural.
Com base na pesquisa bibliográfica e nas prospeções arqueológicas realizadas no terreno, verificou-se que o traçado da conduta atravessaria uma zona de elevada sensibilidade arqueológica, compreendida entre o Alto das Barradas e a Ribeira da Serra da Borges, na Raposeira. À superfície do terreno foi identificada uma significativa mancha de materiais, sobretudo de cronologia romana, incluído um menir anteriormente referenciado que terá sido amputado para presumível reutilização enquanto peso de lagar.
Atendendo à área de dispersão dos materiais, e de forma a minimizar os impactes da obra em eventuais contextos arqueológicos ocultos no subsolo, os arqueólogos responsáveis pelos trabalhos de acompanhamento sugeriram adequadas medidas preventivas, designadamente um conjunto de sondagens mecânicas, controladas arqueologicamente, ao longo de um troço de 400 metros, numa área total de 50m2.
Numa dessas sondagens foi identificada uma estrutura aparentemente destinada à captação e armazenamento de água. Depois de escavada manualmente, a estrutura apresentou uma planta definida exteriormente por um anel circular em argamassa e um poço central rectangular em alvenaria argamassada. Foi escavado até aos 4 metros de profundidade, atingindo-se o nível freático.
Quanto à cronologia da estrutura, ainda não foram recolhidos elementos suficientes para uma datação precisa. Considerando, por associação direta, os materiais arqueológicos registados na área envolvente, a construção poderá enquadrar-se em época romana, tardo-romana, medieval ou mesmo sub-atual. A avaliação possível ao momento concorre para uma estrutura relativamente recente, de Idade Moderna ou Contemporânea.
A estrutura foi devidamente registada e será poupada com um ligeiro desvio do traçado da conduta, sendo novamente enterrada e protegida com uma manta geotêxtil para memória futura.
A correta articulação entre todas as partes envolvidas num processo desta monta, nomeadamente entre os proprietários dos terrenos intervencionados, o dono de obra (ÁGUAS DO ALGARVE, S.A.), os arqueólogos de acompanhamento, o arqueólogo municipal e a tutela do património cultural (Direção Regional de Cultura), permitiu precaver atrasos decorrentes de intervenções arqueológicas, a produção de informação científica relativa à história da presença humana no território e a minimização de impactos no património cultural.

Registo fotográfico e modelo 3D da estrutura escavada na Raposeira:


Protocolo de Cooperação para a Investigação Histórico-Arqueológica da Costa Vicentina

No dia 21 de Novembro de 2014, a Associação de Defesa do Património Histórico e Arqueológico de Aljezur (ADPHAA), representada pelo Sr. Vice-presidente da Direcção, o nosso "bom vizinho" e amigo José Manuel Marreiros, entregou à Câmara Municipal de Vila do Bispo, na pessoa do seu arqueólogo, Ricardo Soares, um conjunto de 4 peças cerâmicas, provenientes de contexto aquático, a cerca de 6 a 7 milhas ao largo do Cabo de São Vicente. 
As peças foram fortuitamente trazidas "à tona" por redes de pesca, sendo posteriormente (e em "boa hora"!) entregues à ADPHAA pelo seu achador, o Sr. Herman Francisco, pescador residente na Carrapateira (Aljezur). 

Aqui se cita um trecho de um preliminar estudo tipológico das referidas peças, promovido pela ADPHAA e da autoria do arqueólogo Joel Rodrigues: 

"A análise dos materiais recuperados indica tratar-se de um conjunto coeso no que toca à cronologia, mas diverso no que concerne à proveniência deles. É possível que sejam materiais pertencentes a um mesmo naufrágio, integrando a parafernália própria de uma embarcação do século XVII. Pela natureza dos achados, não é possível avançar com hipóteses no que concerne à bandeira do navio"

Tendo em conta os naufrágios conhecidos ao largo do Cabo de São Vicente, designadamente na disponível bibliografia de referência, e a própria análise tipológica das peças recentemente recuperadas (um conjunto coevo enquadrável na segunda metade do século XVII), quem sabe estes achados reproduzam o eco de um naufrágio, como o da tartana (ou fusta?) francesa, 'Saint François', naufragada em 1671-72, durante um temporal ao largo do Cabo de São Vicente, segundo o testemunho directo de um dos tripulantes sobreviventes.

Após o necessário desenvolvimento da investigação já encetada, o Centro de Interpretação de Vila do Bispo apresentará os resultados e as peças ao público interessado, celebrando-se, assim, um Protocolo de Cooperação para a Investigação Histórico-Arqueológica da Costa Vicentina, entre a Câmara Municipal de Vila do Bispo e a Associação de Defesa do Património Histórico e Arqueológico de Aljezur, dois bons vizinhos neste território sem fronteiras... 

Forte de São Luís de Almádena | Boca do Rio | Budens



Fortificação militar erigida numa arriba sobre o mar, coroando um cerro com 78 m de altitude (Monte do Forte), sobre a margem esquerda do paul/foz da Boca do Rio, na convergência da Ribeira de Budens (ou de Almádena) e da Ribeira de Vale Barão.
A sua construção deu-se em 1632, no reinado de Filipe III, por ordem do então Governador e Capitão-General da Província do Algarve, D. Luís de Sousa, conde do Prado, tendo por principal objectivo a protecção directa da almadrava/armação de pesca de atum da praia da Boca do Rio, mais tarde incorporada (em 1773) na Companhia Geral das Pescas do Reino do Algarve.
Fortemente afectada pelo terramoto de 1755, foi definitivamente abandonada em 1849.
Actualmente, visitando-se o local, ainda é possível observar uma planta poligonal, com vértices reforçados por baluartes poligonais; uma fachada principal onde se destaca a porta de armas precedida de fosso; duas baterias (inferior e superior); uma ampla praça interior onde subsistem diversas estruturas, algumas abobadadas com terraços, correspondentes a uma pequena capela com nicho, dedicada a São Luís, às casernas e ao paiol.
Segundo a tradição, o forte de Almádena terá sido edificado sobre um templo romano e uma mesquita árabe. 
Trata-se de um monumento classificado em 1974 como Imóvel de Interesse Público.


Fontes online: 

Forte de Santo António de Beliche | Capela de Santa Catarina | Sagres

O Forte de Santo António de Belixe, localmente referido apenas como Fortaleza de Belixe, situa-se no cabo de São Vicente, dominando a enseada de Belixe Velho.
Foi erigido em data indeterminada, provavelmente no reinado de Manuel I ou no de seu sucessor, João III, seguramente antes de 1587, uma vez que o edificado militar se encontra desenhado num mapa desta região algarvia relativo ao ataque do corsário inglês Francis Drake, que o destruiu. Tinha como função controlar aquele ancoradouro e proteger os pescadores que ali exploravam uma armação de pesca de atum.
A fortificação actual remonta a uma reconstrução ordenada por Filipe III de Portugal (1621-1640), tendo sido reinaugurado em 1632, conforme inscrição epigráfica sobre o portão de armas.
O terramoto de 1755 causou-lhe danos consideráveis, tendo sido progressivamente abandonada. Foi recuperada nos finais da década de 1950 pela então Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, no contexto dos trabalhos realizados no cabo de São Vicente e em Sagres, tendo em vista as comemorações do V Centenário da Morte do Infante D. Henrique (1960). Na ocasião, sobre os alicerces dos antigos quartéis foi erguida uma casa de chá.
Classificado como Imóvel de Interesse Público, este edificado militar preserva panos de muralha, baterias e casamatas, bem como a Capela de Santa Catarina, cujas origens remontam a uma doação do Infante D. Henrique (1394-1460), pouco antes de sua morte, e cujo retábulo, em estilo barroco, foi trasladado em 1997 para a Igreja de Nossa Senhora da Graça, na vizinha Fortaleza de Sagres.