Feliz de quem tiver uma PEDRA em SAGRES
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Villa Romana da Boca do Rio: um sítio pesqueiro entre dois mares 3.ª Campanha Arqueológica (março 2018)

No passado dia 06 de abril foi dada como concluída mais uma campanha arqueológica no contexto Lusitano-Romano da Boca do Rio (Budens). Na verdade, tratando-se de um projeto plurianual, os trabalhos foram temporariamente suspensos, tendo prevista continuidade em setembro deste ano.
Desde os finais do século XIX que a área da villa romana da Boca do Rio tem sido alvo de diversas intervenções arqueológicas, inauguradas, numa perspetiva científica, no ano de 1878, pelo notável pioneiro da arqueologia algarvia, Sebastião Philippes Martins Estacio da Veiga. Curiosamente, a visibilidade arqueológica daquelas ruínas, que remontam aos primeiros séculos da nossa Era, deve-se ao tsunami gerado pelo grande terramoto de 1755.
Passados 140 anos, o Município de Vila do Bispo associa-se à Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve e à Philipps University of Marburg, na Alemanha num projeto de investigação designado de “Boca do Rio: um sítio pesqueiro entre dois mares”. Encetado em março e setembro de 2017, este projeto dedica dois meses por ano a trabalhos de campo na área daquele significativo sítio arqueológico. Os trabalhos são dirigidos pelo Professor Felix Teichner (Marburg), sob a coordenação do Professor João Pedro Bernardes (FCHS-UAL’g) e o apoio técnico e científico do arqueólogo municipal, Ricardo Soares.
Assim, se visitarmos aquela praia em março e setembro, torna-se habitual depararmo-nos com diversas escavações arqueológicas e com todo o movimento de equipas de jovens investigadores que ali passam os seus dias a explorar vestígios de um longínquo passado, ecos de um quotidiano romano dedicado à produção de conservas e de outros produtos piscícolas.
Importa explicar que, no final de cada campanha, as sondagens são cobertas por questões de segurança pessoal e de proteção das estruturas arqueológicas registadas, com vista à continuidade da investigação e a um futuro projeto de valorização do local.
Ao longos destas campanhas arqueológicas, as equipas encontram-se sediadas no CAI-NIA-VB – Centro de Acolhimento à Investigação – Núcleo de Investigação Arqueológica de Vila do Bispo, instalações municipais que, em boa-hora, reabilitaram o antigo Jardim de Infância de Budens, servindo, agora, como espaço de acolhimento e laboratório para captação e apoio a projetos de investigação dedicados ao território do Concelho de Vila do Bispo.
No decorrer da campanha do passado mês de março e numa perspetiva de educação patrimonial, os trabalhos foram visitados por crianças inscritas na disciplina de Património Local – Módulo Arqueologia das Atividades de Enriquecimento Curricular (AEC’s) proporcionadas pelo Município aos alunos do 1.º Ciclo do Ensino Básico do Concelho.


Passeio de Primavera entre a atual aldeia de Budens e a antiga villa romana da Boca do Rio

BUDENS - BOCA DO RIO – BUDENS 10km
21 abril (sábado)
09h00-13h30

atividade integrada no
DIA INTERNACIONAL DOS MONUMENTOS E SÍTIOS 2018
PATRIMÓNIO CULTURAL – DE GERAÇÃO PARA GERAÇÃO


No dia 18 de abril de 2018 o ICOMOS (International Council on Monuments and Sites) celebra o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios com o tema “Património Cultural – de geração para geração”. Associando-se a esta iniciativa da UNESCO, o Município de Vila do Bispo propõe, no dia 21 de abril, um primaveril percurso pedestre entre a atual aldeia de Budens e a antiga villa romana da praia da Boca do Rio, ao longo do qual serão visitados e interpretados diversificados contextos paisagísticos de ordem natural e cultural, com especial atenção para realidades arqueológicas, históricas e etnográficas que exemplarmente ilustram a evolutiva sequência de presença humana de gentes que forjaram o nosso território com uma genuína combinação de recursos da Terra e do Mar. O percurso será guiado pelo arqueólogo da Câmara Municipal de Vila do Bispo, Ricardo Soares.

PONTO DE ENCONTRO: 9h00 na Igreja Matriz de Budens
REGRESSO: 13h30 em Budens
DISTÂNCIA: 10 km
DURAÇÃO: 4h30
DIFICULDADE: fácilmedia (considerando a distância)
N.º DE PARTICIPANTES: 25
PÚBLICO-ALVO: população em geral
IDADE MÍNIMA: 10 anos
MATERIAL INDIVIDUAL: calçado de caminhada, chapéu, protetor solar, lanche e água
GUIA: Ricardo Soares (arqueólogo do Município de Vila do Bispo)

Inscrições obrigatórias para efeitos de seguros,
até às 12h00 do dia 20 de abril
telefone +351 282 630 600 ext. 302
telemóvel +351 966 661 527
blogue vila-do-bispo-arqueologica.blogspot.pt

Consulte o PROGRAMA NACIONAL
do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios

História do Mês n.º 40 - O Sítio Romano de Areias em Budens, 140 anos depois de Estacio da Veiga (1878-2018)

Inaugurada em janeiro de 2015, a ‘História do Mês’ consiste numa iniciativa expositiva do Centro de Interpretação de Vila do Bispo, com a qual se apresenta, mensalmente, um objeto e/ou um associado discurso informativo. Além da investigação, valorização, divulgação e partilha sociocultural de determinados apontamentos e curiosidades da memória coletiva do território, pretende-se, com esta iniciativa, provocar hábitos de visita aos nossos equipamentos culturais.

Em abril de 2018, a nossa 40.ª ‘História do Mês’ dá a conhecer uma intervenção arqueológica realizada, no passado mês de março, num terreno integrado na área urbana da aldeia de Budens, no sítio das Areias - O Sítio Romano de Areias em Budens, 140 anos depois de Estacio da Veiga. Tratou-se de uma campanha que pretendeu recuperar e reavaliar, 140 anos depois, uma antiga informação produzida em 1877-78 pelo pioneiro da arqueologia algarvia, Sebastião Philippes Martins Estacio da Veiga.



Crianças de Vila do Bispo participam no “Fórum Água Jovem 2018”


48 crianças do 2.º Ciclo de Ensino Básico da Escola E.B. 2,3 de São Vicente de Vila do Bispo participaram no “Fórum Água Jovem 2018”, iniciativa que teve lugar, no passado dia 22 de março, Dia Mundial da Água, na Reserva do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António.

Ao todo, o “Fórum Água Jovem 2018” reuniu 211 crianças e jovens, acompanhados por 22 professores, oriundos de 8 escolas dos concelhos/localidades de São Brás de Alportel, Faro, Olhão, Culatra e Vila do Bispo.
Este primaveril passeio, até ao extremo sotavento da região algarvia, surgiu na sequência de uma série de trabalhos escolares realizados pelas nossas crianças, no âmbito do “Concurso Água Jovem 2018”, evento promovido pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA-ARH Algarve).
O concurso teve como objetivo sensibilizar os jovens do Algarve para o conhecimento e preservação do património aquático, sendo destinado a todos os jovens que frequentam o 1.º, 2.º e 3.º ciclos do Ensino Básico e Secundário.
Com o apoio dos professores Marina Moreira e Rui Macário, e a colaboração do arqueólogo do Município de Vila do Bispo, Ricardo Soares, as crianças da Escola E.B. 2,3 de São Vicente produziram um conjunto de documentários vídeo sobre o tema “A Água no Património Cultural do Algarve”, destacando uma série de apontamentos relativos ao Concelho de Vila do Bispo.
O programa do “Fórum Água Jovem 2018” foi bastante diversificado, pleno de atividades de educação ambiental e patrimonial, organizadas ao longo de um circuito com paragens informativas na Reserva do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António, destacando-se a 2.ª paragem, dedicada ao tema “Água e Património Cultural de Vila do Bispo”:

1.    Descobrir o Baixo Guadiana (Associação ODIANA)
2.    Água e Património Cultural de Vila do Bispo (Ricardo Soares-CMVB)
3.    Voluntariado – Fazer a nossa parte (APA-ARH Algarve)
4.    ODS 2030 – Europe Direct Algarve
5.    Produção de Sal (Centro Ciência Viva Tavira)
6.    Semear e Plantar a Água (DCNF Algarve/Viveiros Monte Gordo)
7.    Flora e Avifauna da RSCMVRSA (DCNF Algarve)
8.    Rio Guadiana (APA-ARH Algarve)
9.    Carbono Azul (Universidade do Algarve-CCMAR)
10.        Exposição de Trabalhos e Apresentação de Vídeos


As nossas crianças e os seus trabalhos foram distinguidos com o 3.º lugar na categoria 2.º Ciclo, com o vídeo “Água como Património Cultural de Vila do Bispo – Guadalupe/Água de Lupe”, e uma menção honrosa para todos os vídeos apresentados, pela originalidade da abordagem e diferenciadora perspetiva cultural dos recursos hídricos.

















Visualização dos documentários-vídeo:


Texto-guião dos documentários-vídeo:

A ÁGUA NO PATRIMÓNIO CULTURAL DO ALGARVE
ERA UMA VEZ EM VILA DO BISPO, ONDE A TERRA ACABA E A ÁGUA COMEÇA...

70% da superfície do nosso planeta encontra-se coberta por ÁGUA.
70% do nosso corpo é constituído por ÁGUA.
H2O... a primorosa fórmula da Vida!
As primeiras formas de vida na Terra desenvolveram-se na ÁGUA.
Sim, todos os seres vivos, todas as plantas e todos os animais dependem da ÁGUA e, claro, o Homem não é exceção, pois faz parte da mesma Natureza...
A espécie humana chegou ao Algarve há cerca de 33 mil anos.
Os arqueólogos descobriram, junto de uma pequena aldeia do Concelho de Vila do Bispo, em Vale de Boi, os mais antigos vestígios culturais de presença humana em todo o sul da Península Ibérica.
A escolha destas remotas comunidades paleolíticas não terá acontecido por acaso!
A ÁGUA não foi uma barreira quando, há cerda de 2400 anos, gentes da Antiguidade descobriram, no extremo sudoeste da Europa, o Promontorium Sacrum.
Gregos, Fenícios, Romanos, Árabes... de barco, pelas ÁGUAS do Mediterrâneo, até ao fim-do-Mundo conhecido, o antigo Cabo Sagrado, onde a terra acaba e o Oceano começa.
Nessa mesma Sagres, o Infante sonhou Novos Mundos e lançou as suas caravelas na incrível aventura ultramarina, à Descoberta de continentes desconhecidos, de cores diferentes, de culturas misteriosas... inventando a 1.ª Globalização.
Nestas mesmas águas sem Tempo, os pescadores de Sagres e os mariscadores de Vila do Bispo continuam a produzir cultura... a ‘cultura das águas’.
E porque não a ‘Cultura do Surf’ e a nossa Joana Schenker, campeã do Mundo de Bodyboard!
Afinal a ÁGUA não é uma fronteira.
A ÁGUA aproxima as pessoas... junto das fontes, junto dos poços e das noras.
A ÁGUA aproxima os povos... no mar e além-mar.
A ÁGUA é vida, recurso, caminho, desafio e aventura.
A ÁGUA é cultura, em Vila do Bispo, no Algarve, em Portugal, no Mundo...


Ricardo Soares, 2018