Feliz de quem tiver uma PEDRA em SAGRES

Palavras-chave | Keywords

"Boca do Rio" "Ermida da Guadalupe" "Farol de São Vicente" "Fauna e Flora" "Fortaleza de Sagres" "Gentes & Paisagens" "Gentes de Vila do Bispo" "Geologia e Paleontologia" "História do Mês" "Martinhal" "Menires de Vila do Bispo" "Paisagens de Vila do Bispo" "Tales from the Past" "Vale de Boi" 3D Abrigo Antiguidade Clássica Apicultura ArqueoAstronomia Arqueologia Experimental Arqueologia Industrial Arqueologia Pública Arqueologia Subaquática Arquitectura arte Arte Rupestre Artefactos Baleeira Barão de São Miguel Base de Dados Bibliografia biodiversidade Budens Burgau Calcolítico Carta Arqueológica de Vila do Bispo Cartografia Cetárias Cista CIVB-Centro de Interpretação de Vila do Bispo Complexo industrial Concheiro Conservação e Restauro Descobrimentos Divulgação Educação Patrimonial EPAC Escolas & Paisagens de Vila do Bispo Espeleo-Arqueologia Estacio da Veiga Estela-menir Etnografia Exposição Figueira Filme Forte Fotografia Geographia Grutas Homem de Neandertal Idade Contemporânea Idade do Bronze Idade do Ferro Idade Média Idade Moderna Iluminados Passeios Nocturnos Ingrina Islâmico Landscape marisqueio Medieval-Cristão Megalitismo menires Mesolítico Mirense mitos & lendas Moçarabe Moinhos Museologia Navegação Necrópole Neo-Calcolítico Neolítico Neolítico Antigo NIA-VB Paleolítico Património Edificado Património natural Património partilhado Pedralva Pesca Povoado Pré-história Proto-história Raposeira Recinto Megalítico/Cromeleque Referências RMA Romano Roteiro Sagrado Sagres Salema Santos Rocha São Vicente Seascape Toponímia Vila do Bispo Villa Romana
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

História do Mês n.º 47 - Murtinhal – um importante centro oleiro na Lusitania Romana

Inaugurada em janeiro de 2015, a ‘História do Mês’ consiste numa iniciativa expositiva do Centro de Interpretação de Vila do Bispo, com a qual se apresenta, mensalmente, um objeto e/ou um associado discurso informativo. Além da investigação, valorização, divulgação e partilha sociocultural de determinados apontamentos e curiosidades da memória coletiva do território, pretende-se, com esta iniciativa, provocar hábitos de visita aos nossos equipamentos culturais.

Na senda dos vestígios do passado romano no antigo território do Promontorium Sacrum,  reservámos, para a História do Mês N.º 47, em novembro de 2018, o tema "Murtinhal - um importante centro oleiro na Lusitania Romana". Em Sagres, na atual praia do Martinhal, ainda é possível observar algumas evidências materiais de um importante estabelecimento industrial fundado em Época Romana. Tendo funcionado entre meados do século III e o século V d.C., trata-se de um dos maiores centros oleiros de produção de ânforas conhecido na Lusitania, antiga província romana com capital em Emerita Augusta, a atual Mérida, em Espanha... surpreenda-se com as descobertas realizadas pela investigação arqueológica deste significativo sítio arqueológico referenciado desde finais do século XIX.

História do Mês n.º 46 - o Porto Romano da villa piscatória/conserveira da Boca do Rio

Inaugurada em janeiro de 2015, a ‘História do Mês’ consiste numa iniciativa expositiva do Centro de Interpretação de Vila do Bispo, com a qual se apresenta, mensalmente, um objeto e/ou um associado discurso informativo. Além da investigação, valorização, divulgação e partilha sociocultural de determinados apontamentos e curiosidades da memória coletiva do território, pretende-se, com esta iniciativa, provocar hábitos de visita aos nossos equipamentos culturais.

Assinalando o fim dos trabalhos da 4.ª campanha arqueológica do projeto de investigação plurianual “Boca do Rio – um sítio pesqueiro entre dois mares”, dedicado ao estudo da villa Lusitano-Romana situada na Boca do Rio, em Budens, a 46.ª História do Mês, Outubro de 2018, vem reforçar a notícia da descoberta, no estuário daquela praia, do maior e melhor conservado porto de Época Romana até à data identificado em Portugal, na verdade, uma raridade em todo o contexto geográfico do Antigo Império Romano. Em março de 2019 os trabalhos terão continuidade na 5.ª campanha de um projeto com a duração de quatro anos, encetados em 2017 e desenvolvendo-se em campanhas arqueológicas bisanuais, nos meses de março e de setembro. 

Saiba mais e visualize o vídeo-report dos achados!

Utentes da Santa Casa da Misericórdia de Vila do Bispo visitam a Villa Romana da Boca do Rio

No passado dia 27 de setembro um grupo de utentes da Santa Casa da Misericórdia de Vila do Bispo, residentes nos lares de Sagres e de Budens, realizaram uma visita guiada à praia da Boca do Rio, aproveitando a ocasião para conhecer o trabalho dos arqueólogos que se encontravam a trabalhar no local, na recente descoberta de um incrível porto romano com cerca de 2000 anos...
Além de uma interativa conversa acerca do longínquo passado humano naquelas paisagens, houve oportunidade para uma preciosa troca de informações de inestimável utilidade para a investigação histórico-arqueológica do local.
Alguns dos  visitantes recordaram a lenda que refere que, nas proximidades de Budens, terá existido uma antiga povoação "engolida por medos de areia", uma remota e muito interessante memória coletiva agora confirmada pela arqueologia!
Houve também quem ainda se recordava da antiga Ermida de Santa Elisabete, apontando, com exatidão, as suas ruínas na encosta que sobe ao Forte de São Luís de Almádena.
Esta foi uma iniciativa que merece repetição e continuidade: a partilha de  vivências, de experiências, de memórias e de conhecimento sobre o nosso território, sobre a nossa cultura, sobre a nossa história... obrigado!


fotografia de Armindo Vicente
Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Vila do Bispo

Doc/Report Porto Romano da Boca do Rio (Budens)

No dia 1 de novembro do ano de 1755 um poderoso tsunami, gerado pelo Grande Terramoto internacionalmente associado à cidade de Lisboa, além de um nefasto rasto de destruição, foi responsável pela descoberta de um importante sítio arqueológico junto à praia da Boca do Rio, na freguesia de Budens, concelho de Vila do Bispo.
Em setembro de 2018, passados 263 anos e após diversas campanhas arqueológicas de exploração na villa lusitano-Romana da Boca do Rio, encetadas ainda nos finais do século XIX por iniciativa do ilustre pioneiro da investigação arqueológica no Algarve, Sebastião Phillipes Martins Estacio da Veiga, uma equipa luso-alemã de investigadores sedeados nas Universidades do Algarve e de Marburgo, em parceria e com o apoio do Município de Vila do Bispo, descobrem o porto romano que serviu o complexo industrial de preparados piscícolas instalado naquela praia e que laborou ao longo de praticamente 5 séculos.
Tratando-se de um raro contexto arqueológico, o maior e melhor conservado porto romano identificado até hoje em Portugal, aqui partilhamos um curto documentário com os testemunhos dos investigadores associados ao projeto:

João Pedro Bernardes - Universidade do Algarve
Félix Teichner Universidade de Marburgo
Florian HermmanUniversidade de Marburgo
Ricardo Soares - Município de Vila do Bispo



 Mais informações!

Porto Romano com quase dois mil anos descoberto na praia da Boca do Rio, em Budens


Uma equipa luso-alemã das Universidades do Algarve e de Marburgo, em parceria e com o apoio logístico e financeiro do Município de Vila do Bispo, acabam de descobrir o porto romano em melhor estado de conservação identificado até hoje em Portugal. 
Os trabalhos arqueológicos desenvolvidos na praia da Boca do Rio, no concelho algarvio de Vila do Bispo, localizado no extremo sudoeste da Europa, integram-se no âmbito do projeto de investigação “Boca do Rio – um sítio pesqueiro entre dois mares”, coordenado pelos Professores João Pedro Bernardes, do Centro de Estudos em Artes, Arqueologia e Património (CEAACP) da Universidade do Algarve, e Félix Teichner da Universidade de Marburgo, encontrando-se sedeado no Centro de Acolhimento à Investigação – Núcleo de Investigação Arqueológica de Vila do Bispo.
Situando-se atualmente em zona seca, esta estrutura é formada por um imponente cais em silharia de calcário com mais de 40 metros de extensão, de onde sobressaem pedras perfuradas para amarração de barcos, uma rampa e uma escadaria de acesso à água do antigo paleoestuário da Boca do Rio.
Durante o Período Romano o mar entrava terra dentro, formando uma extensa laguna, o atual Paul da Boca do Rio/Lontreira, em cuja margem direita se desenvolveu um importante complexo de transformação de preparados de peixe, sobretudo a partir de finais do século II d.C., servido pelo porto agora descoberto.
Todo este complexo industrial e respetivo porto faziam parte de uma villa marítima em investigação desde 2016, com uma grande casa voltada ao mar de onde se tem recolhido diversos mosaicos, estuques pintados e muitos outros objetos que documentam a vida quotidiana e as atividades destes nossos longínquos antepassados.
O sítio pesqueiro romano foi abandonado na primeira metade do século V, voltando a ser ocupado com uma armação de pesca do atum no século XVI e, de novo, após o tsunami de 1755, no século XVIII. Estas armações da época moderna (re)aproveitaram as estruturas romanas fundadas nas dunas para aí edificar os seus edifícios que ainda hoje se podem ver no local.
O sítio da Boca do Rio, conhecido internacionalmente por ser um dos locais que melhor preserva o registo do tsunami que se seguiu ao terramoto de 1755, que arrasou Lisboa, Cádis (em Espanha) e boa parte da costa algarvia, reserva, também, um enorme interesse arqueológico. Para além da recém identificada estrutura portuária, existem, sob as dunas, várias fábricas que serviram para a produção de molhos e pastas de peixe, o famoso garum dos Romanos, apresentando, tal como o porto, um estado de conservação verdadeiramente excecional à escala do antigo Império Romano.