Feliz quem tem uma PEDRA em SAGRES

Palavras-chave | Keywords

"Boca do Rio" "Ermida da Guadalupe" "Farol de São Vicente" "Fauna e Flora" "Fortaleza de Sagres" "Gentes & Paisagens" "Gentes de Vila do Bispo" "Geologia e Paleontologia" "História do Mês" "Martinhal" "Menires de Vila do Bispo" "Paisagens de Vila do Bispo" "Tales from the Past" "Vale de Boi" 3D Abrigo Antiguidade Clássica Apicultura ArqueoAstronomia Arqueologia Experimental Arqueologia Industrial Arqueologia Pública Arqueologia Subaquática Arquitectura Arte Rupestre Artefactos Baleeira Barão de São Miguel Base de Dados Bibliografia Budens Burgau CIVB-Centro de Interpretação de Vila do Bispo Calcolítico Carta Arqueológica de Vila do Bispo Cartografia Cetárias Cista Complexo industrial Concheiro Conservação e Restauro Descobrimentos Divulgação EPAC Educação Patrimonial Escolas & Paisagens de Vila do Bispo Espeleo-Arqueologia Estacio da Veiga Estela-menir Etnografia Exposição Figueira Filme Forte Fotografia Geographia Grutas Homem de Neandertal Idade Contemporânea Idade Moderna Idade Média Idade do Bronze Idade do Ferro Iluminados Passeios Nocturnos Ingrina Islâmico Landscape Medieval-Cristão Megalitismo Mesolítico Mirense Moinhos Moçarabe Museologia NIA-VB Navegação Necrópole Neo-Calcolítico Neolítico Neolítico Antigo Paleolítico Património Edificado Património natural Património partilhado Pedralva Pesca Povoado Proto-história Pré-história RMA Raposeira Recinto Megalítico/Cromeleque Referências Romano Roteiro Sagrado Sagres Salema Santos Rocha Seascape São Vicente Toponímia Vila do Bispo Villa Romana arte biodiversidade marisqueio menires mitos & lendas
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História do Mês n.º 39 - "Restauro e valorização de mosaicos removidos da villa romana da Boca do Rio no ano de 2010"


Inaugurada em janeiro de 2015, a ‘História do Mês’ consiste numa iniciativa expositiva do Centro de Interpretação de Vila do Bispo, com a qual se apresenta, mensalmente, um objeto e/ou um associado discurso informativo. Além da investigação, valorização, divulgação e partilha sociocultural de determinados apontamentos e curiosidades da memória coletiva do território, pretende-se, com esta iniciativa, provocar hábitos de visita aos nossos equipamentos culturais.

Em março de 2018, a nossa 39.ª ‘História do Mês’ apresenta o projeto “Restauro e valorização de mosaicos removidos da villa romana da Boca do Rio no ano de 2010 (Budens, Vila do Bispo)”, uma intervenção que visa o restauro, a conservação, a valorização e a integração e divulgação museológica de uma significativa peça do património arqueológico do Concelho de Vila do Bispo.


História do Mês de Maio | Notícia sobre uma miniatura de machado de fibrolite polida descoberta em Vale de Boi

A ‘História do Mês consiste numa iniciativa expositiva do Centro de Interpretação de Vila do Bispo iniciada em janeiro de 2015 onde, mensalmente, se apresenta um objeto e um associado discurso informativo. Além da divulgação, valorização e partilha de determinados apontamentos e curiosidades da memória coletiva do território, pretende-se, com esta iniciativa, provocar hábitos de visita ao nosso equipamento cultural.

Para o mês de maio reservámos uma história construída com o precioso contributo da comunidade local, em particular de uma criança do 1.º Ciclo do Centro Educativo de Budens, de nome Vicente dos Reis Viana. Numa das recentes Aulas de Enriquecimento Curricular - “Património Local”, dedicadas à Arqueologia do Concelho de Vila do Bispo, o Vicente partilhou com o seu “professor”, o arqueólogo municipal, uma pedrinha que carinhosamente guardava entre os seus tesourinhos de criança. A pequena pedra foi encontrada na zona de Vale de Boi pelo pai do Vicente, Nuno Viana, que, num dos seus domingos de caça, nela reconheceu particular interesse, diferenças de aspeto artefactual, de autoria humana, impossíveis de reproduzir por ação natural. Recolheu o objeto e ofereceu-o ao seu filho de 9 anos, um pequeno apreciador de pedrinhas, rochas, minerais e fósseis... de coisas especiais, de coisas antigas. Em plena aula e na palma da mão, arqueólogo e crianças examinaram a pequena pedra, transformando-a de imediato, à luz da análise arqueológica, em legítimo objeto arqueológico, em artefacto pré-histórico, numa peça do Neolítico final/Calcolítico, num legado patrimonial com cerca de 5000 anos!!!

Venha conhecer este precioso achado arqueológico e visite o Centro de Interpretação de Vila do Bispo !!!

História do Mês de Agosto | A Fortuna alada da Boca do Rio

A ‘História do Mês’ consiste numa iniciativa expositiva do Centro de Interpretação de Vila do Bispo iniciada em janeiro de 2015 onde, mensalmente, se apresenta um objeto e um associado discurso informativo. Além da divulgação, valorização e partilha de determinados apontamentos e curiosidades da memória coletiva do território, pretende-se, com esta iniciativa, provocar hábitos de visita ao nosso equipamento cultural.
Num verão de intensa atividade arqueológica, designadamente com escavações no sítio paleolítico de Vale de Boi e na área da necrópole romana da Boca do Rio, deixamos como História do Mês de agosto o relato da descoberta, nos finais do século XIX, e respetiva descrição, de um curioso artefacto proveniente da villa romana da Boca do Rio (Budens, Vila do Bispo). Trata-se de uma pequena estatueta produzida em bronze que representa uma das divindades do panteão de deuses romanos - a Fortuna.
Visite-nos!


História do Mês de Julho | A Placa Solutrense de Vale de Boi – Arte e Auroques

A ‘História do Mês’ consiste numa iniciativa expositiva do Centro de Interpretação de Vila do Bispo iniciada em janeiro de 2015 onde, mensalmente, se apresenta um objeto e um associado discurso informativo. Além da divulgação, valorização e partilha de determinados apontamentos e curiosidades da memória coletiva do território, pretende-se, com esta iniciativa, provocar hábitos de visita ao nosso equipamento cultural.
Em julho de 2016 a equipa do Professor Nuno Ferreira Bicho, da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve, regressou a Vale de Boi para mais uma campanha arqueológica na área do abrigo paleolítico localizado junto daquela aldeia da freguesia de Budens. 
Neste mês de intensa atividade arqueológica, aqui fica a proposta de visita ao Centro de Interpretação de Vila do Bispo para assim tomar contacto com um dos mais interessantes artefactos arqueológicos assinalados no nosso Concelho - uma rara placa de xisto gravada com motivos zoomórficos (3 auroques - uma espécie de boi de grandes dimensões entretanto extinta) datada do período Solutrense (Paleolítico Superior), com cerca de 24 mil anos!



História do Mês de Maio | um Soldo Ambrosino em Sagres – moeda milanesa do século XIII

A ‘História do Mês’ consiste numa iniciativa expositiva do Centro de Interpretação de Vila do Bispo iniciada em janeiro de 2015 onde, mensalmente, se apresenta um objeto e um associado discurso informativo. Além da divulgação, partilha e valorização de determinados apontamentos e curiosidades da memória coletiva do território, pretende-se, com esta iniciativa, provocar hábitos de visita ao nosso equipamento cultural.
Em maio de 2016 convidamos os interessados a visitar o Centro de Interpretação de Vila do Bispo, para (re)visitar o espaço e, aproveitando a ocasião, ficar a conhecer um exemplar de moeda de prata conhecida como Soldo Ambrosino Piccolo (Pequeno Soldo Ambrosino), encontrado nos anos 90 do século XX em Sagres, na Roça do Veiga, pelo Sr. José Casimiro Maia.
Estas moedas foram cunhadas na Idade Média, em Itália, entre meados do século XIII e a primeira década do século XIV, durante a conturbada Primeira República de Milão (1250-1310), período em que esta era uma das Cidades-Estado italianas, sob o poder dominante da família Visconti.


História do Mês de Março | nos alvores do Neolítico regional: um povoado na Cabranosa com cerâmica cardial

A 'História do Mês' consiste numa iniciativa expositiva do Centro de Interpretação de Vila do Bispo iniciada em janeiro de 2015 onde, mensalmente, se apresenta um objeto e um associado discurso informativo. Além da divulgação, partilha e valorização de determinados apontamentos e curiosidades da memória coletiva do território, pretende-se, com esta iniciativa, provocar hábitos de visita ao nosso equipamento cultural.

Em março de 2016 sugerimos mais uma viagem no tempo, desta feita até aos primeiros dias do Neolítico regional. Tendo por palco o sítio arqueológico da Cabranosa, em Sagres, contaremos a história de um pequeno grupo de pioneiros pastores-agricultores e dos vestígios da sua presença, designadamente potes cerâmicos particularmente significativos...


História do Mês de Novembro | a sepultura coletiva da Pedra Escorregadia e 2 novos artefactos votivos

A 'História do Mês' consiste numa iniciativa expositiva do Centro de Interpretação de Vila do Bispo onde mensalmente se apresenta um objeto e um associado discurso informativo. Além da divulgação, partilha e valorização de determinados apontamentos e curiosidades da memória coletiva do território, pretende-se, com esta iniciativa, provocar hábitos de visita ao nosso equipamento cultural.
Na 11.ª história do ano de 2015 damos a conhecer a sepultura coletiva da Pedra Escorregadia, um “clássico” da arqueologia do Concelho de Vila do Bispo. Trata-se de um monumento funerário datado dos finais do período Neolítico/inícios do Calcolítico (Idade do Cobre), objeto de escavação arqueológica conduzida por Mário Varela Gomes no ano de 1991.
Além da informação que partilhamos sobre este monumento, damos a conhecer 2 artefactos arqueológicos descobertos por uma família de Vila do Bispo e entregues ao Centro de Interpretação por uma criança em idade escolar, de seu nome Leonor Protásioobrigado Leonor!
Por fim, ainda deixamos uma nota acerca de dois novos arqueossítios recentemente identificados no âmbito do nosso projeto “Carta Arqueológica do Concelho de Vila do Bispo”. Intensificámos as saídas de campo ao longo dos últimos dois meses, no óptimo anual da prospectabilidade arqueológica, aproveitando a vegetação baixa e ainda seca e os terrenos lavrados, condições que permitem boas janelas de visibilidade potenciando, assim, a identificação de vestígios do passado.

História do Mês de Julho | o sítio do Catalão (Sagres) na transição da Idade do Cobre para a Idade do Bronze

A 'História do Mês' consiste numa iniciativa expositiva do Centro de Interpretação de Vila do Bispo, onde mensalmente se apresenta um objeto histórico-arqueológico e um associado discurso informativo.
Além da divulgação, partilha e valorização de determinados apontamentos e curiosidades da memória coletiva do território, pretende-se, com esta iniciativa, provocar hábitos de visita ao nosso equipamento cultural.
Sugestão: durante o mês de julho de 2015 passe pelo Centro de Interpretação e fique a conhecer a importância do sítio arqueológico do Catalão, em Sagres, para a compreensão da transição da Idade do Cobre (Calcolítico) para a Idade do Bronze no território hoje denominado de 'Vila do Bispo'.


História do Mês de Março | 2 Estelas Funerárias na Igreja Matriz de Vila do Bispo

A 'História do Mês' consiste numa iniciativa expositiva do Centro de Interpretação de Vila do Bispo, onde mensalmente se apresenta um objeto histórico-arqueológico e um associado discurso informativo.
Além da divulgação, partilha e valorização de determinados apontamentos e curiosidades da memória coletiva do território, pretende-se, com esta iniciativa, provocar hábitos de visita ao nosso equipamento cultural.
Assim, para o mês de março de 2015, fica o convite a conhecer duas estelas funerárias à guarda da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, em Vila do Bispo.

História do Mês de Fevereiro | O Machado Mirense

A 'História do Mês' consiste numa iniciativa expositiva do Centro de Interpretação de Vila do Bispo, onde mensalmente se apresenta um objeto histórico-arqueológico e um associado discurso informativo.
Além da divulgação, partilha e valorização de determinados apontamentos e curiosidades da memória coletiva do território, pretende-se, com esta iniciativa, provocar hábitos de visita ao nosso equipamento cultural.
Assim, para o mês de fevereiro de 2015, fica o convite à visita de dois exemplares de 'Machado Mirense', provenientes do nosso Concelho.



O 'Machado Mirense' em Vila do Bispo

O Machado Mirense é uma das peças mais características, e também mais enigmáticas, da Pré-História Portuguesa. 
Possui uma distribuição geográfica circunscrita, já que se encontra exclusivamente no litoral, entre as embocaduras dos rios Sado e Guadiana, tendo sido identificado, pela primeira vez, junto ao rio Mira – e daí a sua designação epónima. 
Pensou-se, outrora, que poderia datar do Paleolítico. Que seria uma peça para usar na mão, tal como o biface. Por isso se chama “empunhadura” ao seu “cabo” e “cabeça” à sua parte activa – gume(s). Mas sabemos hoje que data de épocas mais recentes, podendo enquadrar-se desde o Mesolítico até à Idade do Bronze, realidade tardia documentada no sítio do Catalão, em Vila do Bispo [1]Neste contexto, tratar-se-ia de uma ferramenta encabada, para usar em actividades agrícolas ou de marisqueiro, por exemplo, quer na escavação de solos lamacentos, quer na recolha de bivalves. 
A longa diacronia da sua utilização, a sua expedita produção, a diversidade das aplicações a que se destinava (um verdadeiro ‘canivete suíço’), a disponibilidade da matéria-prima de base (o grauvaque) e o necessário (re)lascamento para avivar gumes exaustos, explica a expressiva quantidade da sua ocorrência e das respectivas lasca.
Em boa verdade, até à data, foi a região de Vila do Bispo que registou as maiores concentrações de artefactos de tipo "Mirenses", designadamente machados , numa exponencial discrepância que justificaria, justamente, renomeá-los de "vila-bispenses”. 
A sua frequência observa-se um pouco por todo o território de Vila do Bispo, com focos de maior concentração, por exemplo, em áreas como o Monte dos Amantes.
De resto, este tipo de machados multifuncionais, fabricados por talhe e bojardagem da pedra, antepassados (e contemporâneos!) do machado de pedra polida, encontram-se em quase todas as culturas dos alvores do Neolítico da bacia do Mediterrâneo e do resto do Mundo. Em Marrocos, em sítios arqueológicas do Neolítico, são conhecidas peças muito idênticas ao machado mirense, por vezes às centenas e até aos milhares, sendo aí ligadas ao trabalho da terra e à extracção de recursos como o sal!



[1] CORREIA, Jorge Estevão (2007) – O Sítio do Catalão e o Barlavento Algarvio na Transição do Calcolítico para a Idade do Bronze. Dissertação de Mestrado apresentada à Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve. Faro.



ZBYSZEWSKI, G.; VEIGA FERREIRA, O. da; LEITÃO, M. e NORTH, C. T. (1972) – Contribuição para o conhecimento das Indústrias Mirenses de Vila Nova de Milfontes. In O Arqueólogo Português, Vol. VI, pp. 103-118.


CARDOSO, João Luís; GOMES, Mário Varela (1997) – Caracterização do Machado Mirense. Os Materiais de Monte dos Amantes (Vila do Bispo, Algarve). Setúbal Arqueológica, Vols. 11-12. Setúbal, pp. 121-146.


Alguns exemplares recentemente recolhidos à superfície nas 
paisagens arqueológicas de Vila do Bispo:


Fotografia de Ricardo Soares


Artefactos Neolíticos em Vila do Bispo


Sebastião Philipes Estácio da Veiga, no volume II das suas Antiguidades Monumentaes do Algarve - Tempos Prehistoricos, enumera uma série de referências a achados isolados integráveis no "neolithico" de Vila do Bispo, designando-os como "instrumentos neolithicos". 
Seguem-se as suas referências:

Instrumentos neolithicos isolados (Vol. II p. 311-314)

Villa do Bispo (Vol. II p. 311)

«Machado de diorite, totalmente desengrossado pelo attrito até o córte, em que ha estragos provenientes do trabalho. Tem de comprimento 0m,140, de largura 0m,058, e de espessura 0m,033. Foi ha muitos annos achado em excavação feita n’uma rua da villa e por mim comprado em 1878 a um trabalhador alli mesmo residente. Vae figurado na estampa II sob o n.º 1.
Com o antecedente machado deixei depositado no museu um ellipsoide de diorite (?), formado por dois segmentos de esfera unidos pelos bordos, deixando aresta saliente. No maior diametro mede 0m,050, no menor 0m,046 e na espessura 0m,034. É um lustroso calhau, que parece ter já sido util, servindo de polidor. Era companheiro do machado que fica descripto, e por isso, encostado a um fiador tão idoneo, parece poder ser considerado como instrumento que teve algum prestimo na ultima idade da pedra.»

Sellanitos / Rapozeira (Vol. II p. 311)

«Machado de secção transversal elliptica, totalmente desengrossado, com o córte em arcatura, assaz obliterado. Foi achado com pedaços de louça prehistorica em terra lavrada, deixando presumir que tenha pertencido a um monumento destruido. Mede 0m,090 de comprimento, 0m,046 de largura e 0m,027 de espessura. Comprei-o no proprio logar. É figurado na estampa II sob o n.º 4.»

Catalão / Sagres (Vol. II p. 311-312)

«Machado de schisto com desengrossamento geral, e alguns estragos, tanto no córte como na extremidade inferior. Mede 0m,097 de comprimento 0m,046 de largura e 0m,025 de espessura. Comprei-o no proprio sitio do Catalão, onde me informaram de terem apparecido outros muitos. Está depositado no museu, e vae figurado na estampa II com o n.º 2.»

Cabo de São Vicente / Sagres (Vol. II p. 312)

«Pequeno machado, de configuração similhante á do antecedente, com o córte abatido. Tem de comprimento 0m,090, de largura 0m,045 e de espessura 0m,029. Comprei-o a um camponez, que me afiançou tel-o achado na fenda de uma grande rocha, já perto do mar, onde ha muitos penedos de enorme grandeza, accrescentando que outras muitas pedras de raio se têem por alli achado. Está depositado no museu e é figurado na estampa II com o n.º 3.
Este machado fez-me lembrar os cumulos de tres a quatro pedras, que Estrabão refere ter havido no Cabo de S. Vicente, e que o barão de Bonstteten entende terem sido antigos dolmens construidos n’aquella extremidade da terra. É mui provavel haver pertencido a algum monumento actualmente destruido, ou talvez já precipitado no mar; pois que mui visivelmente toda aquella ponta de terra, continuamente batida pelas aguas do oceano, tem soffrido mui sensiveis deslocamentos. Se os monumentos, a que se refere Estrabão, estavam mui propinquos ao mar, não foi outra, a meu ver, a causa do seu desapparecimento.»

Budens (Vol. II p. 312-313)

«A aldeia de Budens está situada entre o extincto rio de Almádena e a ribeira da Zorreta. Todo esse tracto de terra fertil, comprehendido entre duas correntes de agua, foi utilizado por todas as nacionalidades prehistoricas e historicas que no Algarve ficaram caracterisadas. Houve alli notabilissimos centros de população. Só o riquissimo terreno de Budens, para ser explorado, como convinha, não exigiria menos de seis a oito mezes de trabalho activo com quarenta operarios effectivos. Por um lado a agricultura tem destruido os monumentos prehistoricos, a que chamam sepulturas antigas, internamente revestidas de grandes penedos, e por outro lado o oceano tem ido conquistando n’estes ultimos quinze seculos uma enorme zona de terreno.
Veja-se a descripção que Silva Lopes dá das opulentas ruinas de Budens na Chorographia do Algarve e veja-se na pasta encadernada das plantas e desenhos dos meus descobrimentos, existentes no museu archeologico do Algarve, a planta das ruinas que puz á vista junto á Bôca do Rio, onde ainda achei inteiros e sem a minima falha alguns preciosos pavimentos de mosaico de tão primoroso lavor, como os mais perfeitos de quantos puz á vista nas celebres ruinas de Ossonoba quando descobri a verdadeira séde e deixei patente uma parte importante d’aquella tão nomeada cidade de origem preromana.
O pouco tempo de que podia dispôr, sendo-me quasi inteiramente absorvido nas explorações tão reclamadas pelas nobilissimas ruinas da grande povoação da Bôca do Rio, não chegou para comprehender o descobrimento das estações prehistoricas já sobremaneira apparentemente desfiguradas; o que ainda assim não me impediria o seu reconhecimento, querendo guiar-me por uns caracteristicos de que já tinha tomado nota, a partir do Serro das Alfarrobeiras, ao sul, no rumo de noroeste, sobre o flanco direito do rio de Almádena, e ainda sobre a margem opposta, onde tantos vestigios neolithicos guarnecem o antigo leito d’esse rio, hoje transformado em vistosos arrozaes; pois para se pôr por obra uma exploração sufficientemente desenvolvida desde a ponta do Cabo de S. Vicente até á bahia de Lagos, seria mister o triplo do tempo em que fui obrigado a fazer o incompleto reconhecimento geral das antiguidades de toda esta provincia.
Para deixar representada a aldeia de Budens nos tempos prehistoricos, figuro sob o n.º 1 na estampa III uma enxó de schisto amphibolico, de forma achatada, formando angulos rectos em quatro arestas e o córte pela convergencia de duas facetas desiguais. Mede 0m,083 de comprimento, 0m,044 de largura e 0m,018 de espessura. Comprei-a na propria aldeia de Budens, onde foi achada. Está depositada no museu.»

Areias / Budens (Vol. II p. 313)

«Na mesma estampa III com o n.º 2 represento um pequeno machado de rocha quartzosa mui perfeito, que juntamente com outro tinha sido achado no sitio das Areias, perto da aldeia de Budens, em propriedade do sr. Joaquim Leal, por quem me foram offerecidos. Tem o córte produzido pelo desengrossamento de duas faceias convergentes. Mede 0m,073 de comprimento, 0m,040 de largura e 0m,025 de espessura. Está depositado no museu.»

Sellão Frio / Budens (Vol. II p. 314)

«N’este sitio e distante uma legua da igreja de Budens têem sido achados alguns machados de pedra em propriedade de Bernardino Baptista, residente na proxima freguesia da Luz. Foi este lavrador que me offereceu o de diorite negra, que figuro na estampa III sob o n.º 4. Tem o gume formado por desengrossamento decrescente, e com uma falha proveniente do trabalho. Mede 0m,127 de comprimento, 0m,050 de largura e 0m,040 de espessura. Está depositado no museu.»

Curraes / Budens (Vol. II p. 314)

«Fica este sitio uns 400 metros a nordeste de Barão de S. Miguel. Varios homens do campo affirmam ser frequente o apparecimento de machados de pedra n’aquelles terrenos e que algumas pessoas os guardam com a idéa de livrarem a sua casa da quéda de raios. Alli comprei a um camponez o perfeito machado com o gume muito arqueado e produzido por duas largas facetas, que figuro na estampa III com o n.º 3. Tem 0m,088 de comprimento, 0m,051 e 0m,031 de espessura. Tenho-o depositado no museu.»

VEIGA, E. da (1887) – Antiguidades Monumentaes do Algarve - Tempos Prehistoricosvol. II. Lisboa: Imprensa Nacional, pp. 311-314.




Recentes prospecções no Concelho de Vila do Bispo têm resultado na identificação de mais alguns artefactos (neo)líticos, alguns dos quais produzidos pela técnica da 'pedra polida', designadamente instrumentos como machados, enxós, dormentes e moventes de mós manuais, percutores, bigornas, entre outros: