Feliz de quem tiver uma PEDRA em SAGRES

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História do Mês de Outubro | Campeões dos céus de outono - os Grifos chegaram a Sagres!

A ‘História do Mês’ consiste numa iniciativa expositiva do Centro de Interpretação de Vila do Bispo iniciada em janeiro de 2015 onde, mensalmente, se apresenta um objeto e um associado discurso informativo. Além da divulgação, valorização e partilha de determinados apontamentos e curiosidades da memória coletiva do território, pretende-se, com esta iniciativa, provocar hábitos de visita ao nosso equipamento cultural.

Quem ainda não se deparou com um céu escurecido por largas centenas de grandes aves planadoras, que, calmamente e desenhando círculos, se elevam a grandes alturas?
Quem ainda não se deteve, por alguns minutos, para contemplar este incrível espetáculo proporcionado pela Natureza, oferecido por estas grandes aves de certa forma bizarras?
Na ‘História do Mês’ de outubro de 2017 fique a conhecer um pouco melhor o Grifo, também conhecido por “abutre-fouveiro” (Gyps fulvus), a maior e mais emblemática ave que, durante algumas semanas de outono, domina de forma incrível os céus do concelho de Vila do Bispo.

Venha conhecer esta História, passe pelo Centro de Interpretação de Vila do Bispo e aproveite a oportunidade para visitar a exposiçãopatente até ao final do ano, intitulada "Era uma Vez em Vila do Bispo... uma viagem desde a Pré-história ao Mundo Romano".











































































Campeões dos céus de outono 
os Grifos (Gyps fulvus) chegaram a Sagres!

Sagres, o extremo sudoeste do continente europeu, constitui um dos mais importantes pontos de passagem nas rotas migratórias de várias espécies de aves que anualmente, no final do verão, abandonam a Europa a caminho das terras quentes de África. Estas aves, sobretudo juvenis e menos experientes, seguem a orientação natural da costa atlântica da Península, até ao Cabo de São Vicente, em Sagres, local onde se reúnem por algumas semanas e de onde prosseguem até à região de Gibraltar, o ponto mais próximo de África e mais propício para a grande travessia do Estreito.
Durante este período, conhecido como a grande migração outonal, a região de Sagres reúne uma incontável quantidade e variedade de espécies de aves, provenientes de distintos habitats, propiciando um incrível fenómeno, único em Portugal. Esta rara concentração de aves permite a fácil observação de diversas rapinas e planadoras de grande porte, que exuberantemente se destacam nos céus, nomeadamente Cegonhas-pretas, Britangos (Abutres-do-Egito) e imensos bandos de Grifos; e outras, mais pequenas e discretas, denominadas de passeriformes, igualmente com elevado interesse e beleza. Também em áreas estuarinas, como os pauis da Boca do Rio e do Martinhal, nas arribas e no mar, são observáveis bastantes espécies de aves pelágicas, ou seja, marinhas.
Em 2010, consciente desta realidade, a Câmara Municipal de Vila do Bispo convida a SPEA (Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves) e a Almargem (Associação de Defesa do Património Cultural e Ambiental do Algarve) para, conjuntamente, colaborarem no sentido da criação de condições de acolhimento aos observadores desta grande migração outonal, por via da organização de um evento pioneiro no nosso país, ainda hoje único a nível nacional, tanto no seu perfil, como no tema explorado.
Desde então, ano após ano, este evento tem vindo a consolidar-se como um diferenciado ‘cartão-de-visita’ do território concelhio de Vila do Bispo. Passados 8 anos desde a 1.ª edição deste projeto, a península de Sagres encontra-se plenamente referenciada como spot de interesse internacional nos roteiros de observação de aves. Hoje designado por Festival de Observação de Aves & Atividades de Natureza, assume-se como um evento que vai muito além do tema “aves”, apresentando o território vilabispense como um todo, nos seus diversificados e diferenciadores aspectos, quer de ordem natural, quer de âmbito cultural.
Quanto às “aves”, além de mote para a reunião, têm cumprido o competente papel de autênticos anfitriões para quem visita Sagres nos primeiros dias de outono.
Na perspetiva local, para os habitantes do Concelho de Vila do Bispo, o Grifo é a espécie mais emblemática que domina os nossos céus durante algumas semanas da estação outonal. Quem ainda não se deparou com um céu escurecido por largas centenas de grandes aves planadoras, que, calmamente e desenhando círculos, se elevam a grandes alturas? Quem ainda não se deteve, por alguns minutos, para contemplar este incrível espetáculo proporcionado pela Natureza, oferecido por estas grandes aves de certa forma bizarras?
O Grifo, também conhecido por “abutre-fouveiro” e tendo por nome científico Gyps fulvus (Linnaeus 1758), é um abutre que ocorre nas escarpas de montanhas do sul da Europa, do Sudoeste Asiático e de África. É normalmente gregário e estabelece colónias que podem reunir 200 casais. Em Portugal nidificam algumas centenas de casais de grifos, sendo a sua distribuição bastante assimétrica. Ocupando sobretudo as zonas interiores e fronteiriças, as principais colónias situam-se no nordeste transmontano, que alberga mais de metade da população portuguesa, mas também nas áreas protegidas do Parque Natural do Douro Internacional, do Parque Natural do Tejo Internacional, nas Portas de Ródão, surgindo ainda alguns grupos mais a sul, na Serra de São Mamede.
Durante a grande migração outonal e conforme as condições climáticas e o prolongamento do bom tempo estival, alguns membros destas colónias do sul da Europa, sobretudo os juvenis, rumam até Sagres como se de uma peregrina viagem iniciática se tratasse. Atualmente, entre meados de outubro e meados de novembro, reservam cerca de duas semanas para visitar este nosso grande Cabo Sagrado, aproveitando as correntes térmicas ascendentes para se elevar nos céus e, com a força do vento norte, planarem até à costa norte de África, voando grandes distâncias quase sem bater as suas enormes asas.
Muito grande, maior que as maiores águias, os Grifos chegam a medir até 1 metro de comprimento e 2,7 metros de envergadura de asas, pesando de 6 a 12 kg. Enquanto necrófagos, alimenta-se quase exclusivamente de carniça, passando longos períodos do seu dia-a-dia a pairar no céu, em círculos, à procura de cadáveres. Porém, cada vez mais têm sido registados episódios de ataques de grifos a presas vivas, especialmente animais jovens, debilitados ou doentes, designadamente rebanhos de ovelhas.
Em voo tem uma silhueta típica, com enormes asas, muito maiores que o corpo e com extremidades dedilhadas (rémiges), cauda curta e arredondada, completamente aberta. A parte superior e inferior do corpo apresenta uma cor castanha clara, com as pontas das asas e a cauda pretas. O pescoço, bastante característico, é angulosamente encolhido, apresentando um colar espesso de penas claras na base, sendo depois coberto de pequenas penas brancas até à cabeça, com um aspecto lanoso. Tem patas cinzentas bastante débeis, pois não as usa para agarrar as presas como as águias. Sendo um accipitrídeo, o bico apresenta uma curvatura típica das rapinas, sendo extremamente forte e preparado para a tarefa de descarnar e de explorar as entranhas de carcaças de animais de qualquer porte.
Nidifica em saliências ou fendas de elevadas escarpas rochosas, construindo um ninho de gravetos e ervas. Com uma postura anual, entre janeiro e junho, põe um só ovo, branco, que eclode ao fim de 48 a 54 dias. A cria demora entre 110 a 115 dias até reunir condições para o primeiro voo. Os dois progenitores revezam-se na incubação do ovo e, depois, na alimentação da sua cria única. Ao contrário de outras aves, esta, se não receber a quantidade de alimento necessária, é incapaz de atrasar o seu crescimento, morrendo de inanição.
Na Península Ibérica o número de grifos tem vindo a crescer desde 1980, anos em que se contavam apenas cerca de 1000 exemplares. No entanto, desde que as normas da União Europeia proibiram o abandono de gado morto nos campos, sobretudo a partir da crise das “vacas loucas”, o alimento para estes animais diminuiu drasticamente, facto que tem vindo a contribuir para a diminuição da sua população no resto da Europa.

Bibliografia de referencia:
Plano Sectorial da Rede Natura 2000. “Fauna, aves, Gyps fulvus, Grifo”. Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade.

texto e fotografia de Ricardo Soares (arqueólogo, CMVB)

História do Mês de Setembro | Novidades da Antiga villa Romana da Boca do Rio: um excepcional complexo conserveiro de produtos do mar


A ‘História do Mês’ consiste numa iniciativa expositiva do Centro de Interpretação de Vila do Bispo iniciada em janeiro de 2015 onde, mensalmente, se apresenta um objeto e um associado discurso informativo. Além da divulgação, valorização e partilha de determinados apontamentos e curiosidades da memória coletiva do território, pretende-se, com esta iniciativa, provocar hábitos de visita ao nosso equipamento cultural.

No passado mês de setembro o sítio Lusitano-Romano da Boca do Rio, em Budens, recebeu uma alargada campanha de escavação arqueológica que permitiu ampliar, significativamente, o conhecimento relativo a alguns aspectos do remoto passado humano do Concelho de Vila do Bispo. Esta campanha de verão desenvolveu-se na sequência dos trabalhos iniciados em março último, quando uma multidisciplinar equipa internacional, composta por arqueólogos e geólogos sediados na Universidade do Algarve e nas universidades alemãs de Marburg, Colónia e Aix-la-Chapelle, encetou uma nova frente de investigação no arqueossítio romano da Boca do Rio.
A História do Mês de Setembro promove a justa partilha de um considerável conjunto de inéditas novidades sobre a dimensão e a organização espacial e funcional da villa da Boca do Rio, um estabelecimento romano especializado na produção de conservas e de outros preparados piscícolas que, ao momento, já se assume como o 2.º maior complexo industrial desta tipologia conhecido em toda a orla mediterrânica durante o Império Romano.

Visite-nos no Centro de Interpretação de Vila do Bispo e venha conhecer esta e muitas outras histórias do nosso Concelho !!!


Novidades da Antiga villa Romana da Boca do Rio
um excepcional complexo conserveiro de produtos do mar

No passado mês de setembro o sítio Lusitano-Romano da Boca do Rio, em Budens, recebeu uma alargada campanha de escavação arqueológica que permitiu ampliar, significativamente, o conhecimento relativo a alguns aspectos do remoto passado humano do Concelho de Vila do Bispo.
Tratou-se de uma iniciativa partilhada entre o Município de Vila do Bispo e a Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve, contando, ainda, com o fundamental contributo da universidade alemã de Marburgo. Os trabalhos foram coordenados pelo Professor João Pedro Bernardes (FCHS-UALg), em colaboração com o Professor Felix Teichner (Philipps University Marburg) e com o arqueólogo municipal de Vila do Bispo, Ricardo Soares.
Esta campanha de verão desenvolveu-se na sequência dos trabalhos iniciados em março último, quando uma multidisciplinar equipa internacional, composta por arqueólogos e geólogos sediados na Universidade do Algarve e nas universidades alemãs de Marburg, Colónia e Aix-la-Chapelle, encetou uma nova frente de investigação no arqueossítio romano da Boca do Rio.
Ao longos de duas semanas e com um estival mês de março, foram realizadas uma série de sondagens não invasivas, com o recurso a um cruzamento de diferentes métodos de prospeção geofísica, o que permitiu descortinar potenciais evidências de estruturas e de outras “anomalias” de origem humana ocultas no subsolo da área.
Por sua vez, a recente campanha de setembro pretendeu confirmar, por via de escavações arqueológicas, as “anomalias” geofísicas registadas em março, o que resultou num considerável conjunto de inéditas novidades relativas à dimensão e à organização espacial e funcional daquele (cada vez mais) importante estabelecimento romano.
De facto, foram desenterradas e reveladas diversas estruturas de assinalável dimensão e em excepcional estado de conservação, designadamente tanques de salga de peixe (cetárias – do Latim cetariae), embasamentos e paredes de edifícios, alguns com argamassas e estuques incrivelmente preservados, derrubes de paredes de taipa e de telhados de tégula e ímbrice (do Latim tegulae e imbrex), muros, sistemas de canalização e de drenagem, além de artefactos como fragmentos de ânforas e de cerâmica utilitária, em especial de terra sigillata, moedas, etc.
Hoje sabemos que a villa romana da Boca do Rio especializou-se na produção de preparados piscícolas, cruzando a abundância e variedade do pescado e do marisco da costa sul, a qualidade do sal outrora extraído do estuário envolvente (Paul da Lontreira), o acesso direto à grande via de circulação marítima do Mediterrâneo e a relação de complementaridade com outros estabelecimentos romanos da região, em particular do Martinhal, um sítio especializado na subsidiária produção anfórica de contentores de armazenamento e transporte dos produtos conserveiros oriundos da Boca do Rio.
Troia, na margem esquerda do Rio Sado, junto à sua foz, em frente a Caetobriga (a atual Setúbal), é de longe o maior complexo fabril de produção de conservas e de outros preparados piscícolas conhecido em toda a área do antigo Império Romano. Com os novos dados, exumados em setembro, já podemos afirmar, “sem sombra de dúvida”, que a villa romana da Boca do Rio assume já um destacado 2.º lugar neste “ranking” mediterrânico.
Ainda que parcialmente escavada, a área de ocupação já documentou um excepcional conjunto de oficinas romanas e de tanques de salga de diversas dimensões, destinados à produção de preparados piscícolas como o garum, o liquamen e o linfatum. O maior tanque identificado foi integralmente escavado e registou a rara dimensão de 4 x 3 metros, com 2.20 metros de profundidade. Do fundo desta cetária extraiu-se uma escura camada de detritos orgânicos, composta pelos restos de peixes da última salmoura ali realizada (allex). Incrivelmente, passados cerca de 1500 anos, ainda se sentiu um ligeiro cheiro a “pexum”!!!
O garum, o liquamen e o linfatum eram géneros de molho ou condimento muito apreciados na Antiguidade Clássica, em particular durante o Período e em todo o Império Romano. Resultava de longas salmouras que combinavam sangue, sangacho, vísceras e outras partes selecionadas do atum ou da cavala, misturadas com peixes mais pequenos, crustáceos e moluscos macerados, aos quais se adicionavam ervas aromáticas ou especiarias. As salmouras duravam cerca de dois meses e eram produzidas ao sol, em tanques denominados de cetárias (cetariae). Além destes molhos, as salmouras produziam uma pasta denominada de muria, rica em proteínas, aminoácidos e vitamina B. Aos restos e sedimentos depositados no fundo dos tanques dava-se o nome de allex.
Nos estuários da costa da Lusitania foram produzidos os melhores garum e liquamen, produtos que eram armazenados em contentores anfóricos de transporte e exportados por via marítima para todo o Império, sendo apreciados enquanto iguaria de luxo que atingia valores exorbitantes para a época (6,5 l – 1000 denários).
De salientar a monumentalidade e o incrível estado de integridade e conservação destas estruturas, preenchidas por areias das dunas que se desenvolvem, sobranceiras, na encosta do Morro dos Medos ou Lomba das Pias, a poente da praia. A conservação das arquiteturas agora exumadas deve-se, precisamente, a estas dunas que rapidamente envolveram a villa romana após o seu abandono, no século V. Curiosamente, em Budens, entre os mais velhos, ainda sobrevive uma lenda que relata «uma antiga povoação engolida por medos de areia», ou seja, por dunas de areia!
Historicamente, as ruínas da villa romana da Boca do Rio ganharam visibilidade na sequência do tsunami gerado pelo grande Terramoto de 1755. Desde os finais do século XIX que este contexto arqueológico tem vindo a acolher diversas intervenções científicas que assim foram paulatinamente revelando uma contínua presença humana, datável entre meados do século I e o século V d.C.
De referir que todos estes trabalhos, e os respetivos investigadores, têm sido acolhidos no CAI-NIA-VB | Centro de Acolhimento à Investigação - Núcleo de Investigação Arqueológica de Vila do Bispo, um equipamento municipal que reabilitou as desativadas instalações do antigo Jardim de Infância de Budens. Em 2017, a “taxa de ocupação” do NIA-VB já superou as expectativas iniciais, demonstrando que se trata de um excelente polo de atração de investigação, uma distintiva oferta municipal que se traduz em retorno científico, em conhecimento sobre o território concelhio, mas também na animação sociocultural de localidades como Budens e Vale de Boi – um diferenciado conceito de “Turismo Científico”!

texto e fotografia de Ricardo Soares (arqueólogo, CMVB)