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História do Mês n.º 42 - ANTÓNIO SANTOS ROCHA: arqueólogo, coletor, colecionador e museólogo da Figueira da Foz e as suas explorações na ruínas Lusitano-Romanas da Boca do Rio

Inaugurada em janeiro de 2015, a ‘História do Mês’ consiste numa iniciativa expositiva do Centro de Interpretação de Vila do Bispo, com a qual se apresenta, mensalmente, um objeto e/ou um associado discurso informativo. Além da investigação, valorização, divulgação e partilha sociocultural de determinados apontamentos e curiosidades da memória coletiva do território, pretende-se, com esta iniciativa, provocar hábitos de visita aos nossos equipamentos culturais.

No mês de junho de 2018, a nossa 42.ª História do Mês aborda os contributos de um dos pioneiros da investigação arqueológica no Concelho de Vila do Bispo, o Dr. António Santos Rocha, arqueólogo, coletor, colecionador e museólogo da Figueira da Foz que também explorou o contexto Lusitano-Romano da Boca do Rio, na Freguesia de Budens.

Visite-nos no Centro de Interpretação de Vila do Bispo!


Santos Rocha na Boca do Rio: arqueólogo explorador, coletor, colecionador e museólogo da Figueira da Foz


Santos Rocha, homem de Letras e arqueólogo _todo o terreno_
Santos Rocha no Algarve

No ano de 1849 é criada, em Lisboa, a Sociedade Archeologica Lusitana, com a fundadora missão de inaugurar a investigação arqueológica nacional em pioneiras escavações nas ruínas romanas de Tróia, na margem esquerda da foz do Rio Sado, momento que marcou o arranque institucional da ciência arqueológica em Portugal.
Três anos depois, em 1853, nasce, na Figueira da Foz, António Augusto dos Santos Rocha, filho pródigo do Iluminismo e do pensamento racionalista da modernidade industrial da segunda metade do século XIX.
Na primeira metade da década de 70 de Oitocentos, sob a inspiradora égide de pioneiras personagens da Arqueologia e da Etnologia portuguesas, Santos Rocha substitui, decididamente, a advocacia pela atividade arqueológica, aplicando a sua privilegiada condição, de primogénito de uma abastada família burguesa, na investigação e na divulgação científica, custeando as suas próprias explorações e adquirindo raros objetos culturais para a sua crescente coleção ainda particular.
Foram especialmente profícuas as suas incursões científicas em terras algarvias. Na esteira de Sebastião Filipes Martins Estacio da Veiga, vanguardista da investigação arqueológica da região, Santos Rocha explora diversos contextos arqueológicos no Algarve, promovendo peculiares “excursões científicas”, organizadas em quatro viagens, entre 1894 e 1906. Justifica estas jornadas a Sul com o objetivo programático de identificar paralelos com achados pré e proto-históricos do Baixo Mondego e de outros locais do País, com vista à definição de uma origem comum nos alvores da existência do chamado “Homem Português”, epíteto devido a José Leite de Vasconcelos, sua contemporânea referência e fundador d’O Arqueólogo Português, em 1895, e do Museu Etnológico de Belém, em 1893, futuro Museu Nacional de Arqueologia.
Em menos de 30 anos, Santos Rocha sistematiza e concretiza, de forma exemplarmente bem-sucedida, um completo programa arqueológico que o legitima, na história da Arqueológica Portuguesa, enquanto investigador de “corpo inteiro”: no dia 6 de maio do ano de 1894, na qualidade de fundador e diretor, inaugura o Museu Municipal da Figueira da Foz, em 1898 institui a Sociedade Archeologica da Figueira, dando estampa, em 1904, ao respetivo Boletim, e, em 1905, ao Catálogo do Museu.
No Algarve, foram diversos os contextos arqueológicos onde se deteve, percorrendo algumas das referências publicadas por Estacio da Veiga, entre 1886 e 1891, nos 4 volumes das suas Antiguidades Monumentaes do Algarve - Tempos Prehistóricos. Claro que também visitou o Concelho de Vila do Bispo! Na Freguesia de Budens, na Praia da Boca do Rio, ainda encontrou os vestígios da escavação ali promovida por Estacio da Veiga, em 1878. Junto às ruínas Lusitano-Romanas, reveladas pelo tsunami de 1755, Santos Rocha realizou algumas sondagens e recolheu diversos materiais, desde então integrados nas reservas do seu Museu, na Figueira da Foz.
Um século depois, em maio de 2018, visitámos este impressionante museu, o seu acervo expositivo e as suas reservas, designadamente os materiais arqueológicos oriundos do estabelecimento Romano da Boca do Rio, previamente identificados na bibliografia e no Catálogo produzidos por Santos Rocha no dealbar do século XX. Entre estes achados recolhidos pelo autor, destacam-se fragmentos de mármore, de estuque pintado a fresco, de diversas peças cerâmicas, de sigillatas, de peças de vidro, uma agulha de osso e alguns pesos de rede globulares em cerâmica.
Além do contacto direto com os materiais, foram recolhidas associadas informações bibliográficas e registadas algumas fotografias documentais, ficando um justo e especial agradecimento ao corpo técnico que, de forma francamente amável, nos acolheu numa visita à exposição permanente, à exposição de Curiosidades e Colecionismo e à área de reservas.
Ao longo da sua existência, o Museu Municipal Santos Rocha conheceu diversas fases museológicas e sucessivas reinstalações em diferentes espaços físicos. Até 1899 ocupou a Casa do Paço, sendo deslocado, em 1910, para o edifício dos Paços do Concelho, onde se manteve até 1975, data em que se transferiu para o atual edifício, arquitetura construída para o efeito com o apoio financeiro da Fundação Calouste Gulbenkian.

Museu Municipal da Figueira da Foz

Santos Rocha descreve a Praia da Boca do Rio em Março 1896


Os materiais romanos da Boca do Rio

Villa Romana da Boca do Rio: um sítio pesqueiro entre dois mares 3.ª Campanha Arqueológica (março 2018)

No passado dia 06 de abril foi dada como concluída mais uma campanha arqueológica no contexto Lusitano-Romano da Boca do Rio (Budens). Na verdade, tratando-se de um projeto plurianual, os trabalhos foram temporariamente suspensos, tendo prevista continuidade em setembro deste ano.
Desde os finais do século XIX que a área da villa romana da Boca do Rio tem sido alvo de diversas intervenções arqueológicas, inauguradas, numa perspetiva científica, no ano de 1878, pelo notável pioneiro da arqueologia algarvia, Sebastião Philippes Martins Estacio da Veiga. Curiosamente, a visibilidade arqueológica daquelas ruínas, que remontam aos primeiros séculos da nossa Era, deve-se ao tsunami gerado pelo grande terramoto de 1755.
Passados 140 anos, o Município de Vila do Bispo associa-se à Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve e à Philipps University of Marburg, na Alemanha num projeto de investigação designado de “Boca do Rio: um sítio pesqueiro entre dois mares”. Encetado em março e setembro de 2017, este projeto dedica dois meses por ano a trabalhos de campo na área daquele significativo sítio arqueológico. Os trabalhos são dirigidos pelo Professor Felix Teichner (Marburg), sob a coordenação do Professor João Pedro Bernardes (FCHS-UAL’g) e o apoio técnico e científico do arqueólogo municipal, Ricardo Soares.
Assim, se visitarmos aquela praia em março e setembro, torna-se habitual depararmo-nos com diversas escavações arqueológicas e com todo o movimento de equipas de jovens investigadores que ali passam os seus dias a explorar vestígios de um longínquo passado, ecos de um quotidiano romano dedicado à produção de conservas e de outros produtos piscícolas.
Importa explicar que, no final de cada campanha, as sondagens são cobertas por questões de segurança pessoal e de proteção das estruturas arqueológicas registadas, com vista à continuidade da investigação e a um futuro projeto de valorização do local.
Ao longos destas campanhas arqueológicas, as equipas encontram-se sediadas no CAI-NIA-VB – Centro de Acolhimento à Investigação – Núcleo de Investigação Arqueológica de Vila do Bispo, instalações municipais que, em boa-hora, reabilitaram o antigo Jardim de Infância de Budens, servindo, agora, como espaço de acolhimento e laboratório para captação e apoio a projetos de investigação dedicados ao território do Concelho de Vila do Bispo.
No decorrer da campanha do passado mês de março e numa perspetiva de educação patrimonial, os trabalhos foram visitados por crianças inscritas na disciplina de Património Local – Módulo Arqueologia das Atividades de Enriquecimento Curricular (AEC’s) proporcionadas pelo Município aos alunos do 1.º Ciclo do Ensino Básico do Concelho.


Crianças do 1.º Ciclo das Escolas de Vila do Bispo participam no Restauro e Valorização de Mosaicos Romanos da Boca do Rio

No âmbito da disciplina Património Local - módulo Arqueologia, das Atividades de Enriquecimento Curricular (AEC’s), oferecida pelo Município de Vila do Bispo às crianças do 1.º Ciclo das escolas do Concelho, a semana de 12 a 16 de março foi dedicada ao tema “Restauro de Mosaicos Romanos da Boca do Rio”.
Para o efeito, foram promovidas uma série de saídas de campo guiadas pelo arqueólogo municipal à praia da Boca do Rio, em Budens, contexto de onde foi trasladado, em 2010, um pavimento de mosaicos tesselados de época romana que se encontrava em risco de destruição e consequente perda pelos graduais e irrefreáveis avanços do mar.
No local, além do contacto e da interpretação das envolventes paisagens naturais e culturais, as crianças tiveram a oportunidade de visitar uma escavação arqueológica desenvolvida por uma equipa de jovens pesquisadores alemães, sedeados na Universidade de Marburg e sob a direção do Professor Felix Teichner.
Esta campanha enquadra-se num projeto de investigação inaugurado em 2017, numa parceria entre o Município de Vila do Bispo e a Universidade do Algarve, sob a coordenação científica do Professor João Pedro Bernardes. O projeto plurianual decorre ao longo dos meses de março e de setembro, visando um melhor entendimento de um excecional contexto arqueológico que se traduz, ao momento, como a mais significativa villa romana conhecida na costa algarvia. Especializado na produção de preparados piscícolas, este complexo industrial e habitacional documenta uma longa e contínua ocupação humana, entre o século I e o século V d.C.
A segunda etapa destas nossas visitas de estudo passou por uma oficina de restauro, montada num dos armazéns das instalações municipais localizadas no Monte de Santo António, em Vila do Bispo. Desde o dia 14 de fevereiro, este espaço acolhe uma equipa dedicada ao restauro e à conservação do referido pavimento de mosaicos, retirado em 2010 da Boca do Rio. As crianças foram recebidas pelo Dr. José António Pereira, responsável técnico pelos trabalhos, que lhes transmitiu uma série de informações relativas às operações ali desenvolvidas.
No regresso à escola, as crianças receberam ainda uma ficha com informações sobre os mosaicos romanos da Boca do Rio, complementada com um exercício de ilustração onde poderão desenvolver expressão artística sobre as técnicas de composição geométrica desta arte decorativa com mais de dois milénios de história.
Além de uma imediata proteção, a iniciativa municipal “Restauro e Valorização dos Mosaicos Romanos da Boca do Rio” assume, como fim último, a valorização e justa partilha sociocultural de uma importante peça do património arqueológico do Concelho de Vila do Bispo, integrando-a no discurso museológico de um novo espaço cultural do Concelho, cuja obra teve início no passado mês de fevereiro: o Projeto EPAC| Equipamento Público de Ação Cultural – O Celeiro da História de Vila do Bispo.
Quanto às nossas crianças... elas são as legítimas herdeiras de um incrível legado patrimonial ainda existente no território que habitam. Com estas ações de educação patrimonial, as crianças enfrentarão o futuro de forma mais consciente e responsável, assumindo uma competente missão de gestores da sua própria herança coletiva.




Se ficou curioso, esteja atento!
Em breve será divulgada mais uma iniciativa em torno do Restauro e Valorização de Mosaicos da Boca do Rio, desta feita dirigida ao público em geral...