Feliz de quem tiver uma PEDRA em SAGRES

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o Projeto LIFE Charcos e o 'Triops vicentinus'

A Liga para a Proteção da Natureza (LPN) promoveu, no passado dia 13 de dezembro, uma sessão pública para apresentar do projeto LIFE Charcos - Conservação de Charcos Temporários na Costa Sudoeste de Portugal. A sessão decorreu no Centro de Interpretação de Vila do Bispo e num dos charcos temporários alvo de monitorização no âmbito do referido projeto. 
Claro que o nosso Triops vicentinus foi o grande protagonista e alvo principal das atenções no decorrer da ação. De recordar que esta espécie é endémica dos charcos temporários do Concelho de Vila do Bispo, ou seja, no Mundo inteiro apenas existe neste extremo sudoeste do Continente Europeu!
Estes organismos são conhecidos como fósseis vivos porque existem há mais de 200 milhões de anos - do tempo dos dinossauros! São crustáceos de água doce temporária e são designados por “camarões-girinos”. O seu ciclo de vida é pautado pela sazonalidade do charco onde vivem e os seus "ovos" resistem na fase seca para eclodirem com as primeiras chuvas do ano seguinte - incrível!
O género Triops é assim chamado pelo facto de possuir 3 olhos (2 olhos compostos e 1 naupliano). Estes animais possuem também entre 35 a 71 pares de apêndices designados de toracópodes. Estes toracópodes, característica dos Branquiopodes, têm várias funções, ou seja, alguns servem para a respiração (brânquias nos pés), outros ajudam o animal a mover-se e outros ainda ajudam-no a alimentar-se.
Os Triops vivem no fundo dos charcos temporários, junto dos sedimentos, mas podem ser encontrados a nadar em toda a coluna de água.
Estes animais possuem os sexos separados mas os machos e as fêmeas são muito parecidos. Uma das principais diferenças é que nas fêmeas o décimo-primeiro toracópode é ligeiramente modificado para poder albergar os cistos. Outra diferença é que a carapaça dos machos é ligeiramente mais redonda do que a das fêmeas mas a carapaça das fêmeas é maior do que a carapaça dos machos.
O comprimento máximo da carapaça, sem contar com os cercópodes (cauda) pode chegar até aos 7cm.
Na sua primeira fase de vida estes fantásticos animais são filtradores, terminando como predadores carnívoros.
A preservação dos charcos temporários torna-se assim essencial para a sobrevivência desta singular espécie, bem como de outras, animais e vegetais. Trata-se de uma missão relativamente fácil, por via da informação e sensibilização, e perfeitamente compatível com atividades económicas ditas 'tradicionais'. Por vezes a agricultura e a pastorícia partilham as mesmas áreas dos charcos temporários. A ação não massificada do pastoreio pode inclusive contribuir para a sustentabilidade e disseminação destes crustáceos. Pelo facto de resistirem aos ácidos gástricos dos herbívoros, os Triops podem ser transportados nas fezes do gado povoando assim outras zonas alagadiças.

Escusado será dizer que em terra de mariscadores, 
estes crustáceos não são comestíveis!!!